Governador do Banco de Portugal confirma aperto do crédito à habitação e diz que “está na hora de as recomendações serem vinculativas”

Álvaro Santos Pereira aproveitou a divulgação do Relatório de Estabilidade Financeira para confirmar a redução da taxa de esforço do crédito à habitação, avançada pelo Expresso em meados de maio. A taxa de esforço cai de 50% para 45%. Maturidade dos empréstimos será simplificada

Expresso
Publicado 12 de maio
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O aumentos dos preços do mercado imobiliário, potenciado pela procura de habitação por parte dos mais jovens que recorrem à garantia estatal é o principal risco da economia português, identifica o relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, esta quarta-feira apresentado. Mas não é o único. O agravamento das tensões geopolíticas e o risco cibernético também constam do rol de preocupações do Banco de Portugal.

Na abertura da apresentação do relatório, Álvaro Santos Pereira afirmou que o principal risco da economia portuguesa é o aumento dos preços no imobiliário, e por isso deverá haver necessidade de haver uma correção dos mesmos, sendo que a construção só aumentou 5,5%.

O governador Álvaro confirmou o que foi a 14 de maio noticiado pelo Expresso, sobre o aperto das regras às famílias na concessão de crédito à habitação própria e permanente, num ambiente em que a inflação está a subir e existe a expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) poderá subir as taxas de juro a 11 de junho. Santos Pereira confirma a redução da taxa de esforço de 50% para 45%. "As recomendações macro prudenciais estão a ser respeitadas, à exceção do LTV", ou seja o montante de empréstimo a conceder pelos bancos, até 90%, e que desde 2025 foi flexibilizado devido causa do apoio aos jovens até aos 35 anos que podem pedir 100% do valor da casa.

O governador refere ainda que, além da redução da taxa de esforço, também o conjunto de exceções que permitem flexibilizar a regra "irão diminuir 10%". O Governador referiu ainda que "a maturidade média dos empréstimos, que estabelece que os empréstimos não podem exceder, em média, os 30 anos, "também não está a ser cumprida". Por isso, adianta, "queremos acabar com as categorias e as maturidades médias, impondo um tecto máximo", referiu. O teto máximo será de 40 anos para quem tenha até 35 idade; daí em diante não poderá exceder os 35 anos.

Nos países da zona euro a maturidade média está abaixo dos 30 anos de prazo, e em Portugal esta conta depende da idade de quem pede o financiamento para compra de casa.

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